Imagine alguém acessando sua landing page. O visitante está ali, pronto para preencher um formulário, baixando um material ou, quem sabe, contratando um serviço. O que poucos imaginam é que, naquele instante, também começa uma relação regulada por lei: a Lei Geral de Proteção de Dados, ou LGPD. Hoje, para agências digitais, essa relação é quase tão importante quanto o próprio funil de vendas.
Privacidade não é mais um diferencial: é demanda do mercado.
O novo cenário digital e a pressão da conformidade
Em 2025, criar landing pages que convertem será, sem dúvida, continuar sendo prioridade para agências. Mas agora, converter significa também garantir que a comunicação seja transparente quanto ao uso de dados. Não basta só captar leads. É preciso mostrar responsabilidade.
Segundo dados analisados em pesquisa da Cisco, ainda menos da metade dos brasileiros conhece de fato a LGPD, mas quase três quartos consideram positiva a proteção dos seus dados. Isso mostra como a confiança pode ser decisiva no momento de informar dados pessoais em formulários de sites e campanhas – confiança, aliás, cada vez mais vendida como ativo.
O crescimento do marketing digital e a responsabilidade legal
Com a previsão da ABComm de que o e-commerce brasileiro alcance quase R$ 235 bilhões em 2025, é natural que a coleta de dados, e o interesse em se destacar digitalmente, só aumentem. Mais tráfego, mais leads, mais dados circulando. Tudo isso aumenta a responsabilidade das agências.
Por isso, adaptação à LGPD não é mais item opcional. É parte do negócio.
Quais dados a LGPD regula nas landing pages?
Antes de falar das boas práticas, vale entender: a LGPD não trata apenas de dados sensíveis (como nome, CPF, endereço), mas também de pequenas informações, como cookies, preferências e localização. Nas landing pages, costumamos coletar:
- Nome e e-mail;
- Telefone;
- Preferências do usuário;
- Informações de navegação (cookies, IP);
- Dados para remarketing.
Esses dados, mesmo que básicos, já envolvem a necessidade de informar, pedir consentimento e armazenar de forma segura.
Os maiores desafios para agências em 2025
Cada agência tem seu jeito, mas alguns desafios se repetem:
- Dificuldade em redigir comunicados claros e objetivos para o usuário;
- Integrar soluções seguras sem atrapalhar a conversão;
- Gerenciar consentimentos e provas em caso de fiscalização;
- Educar clientes sobre o valor da proteção de dados;
- Garantir que parceiros e terceiros sigam as mesmas diretrizes.
Reter leads é bom. Reter confiança é melhor ainda.
Como adequar suas landing pages em 2025
Pontos-chave de adaptação
- Destaque e clareza no aviso de privacidadeNão basta “esconder” um link nos rodapés. É preciso apresentar na landing page (de preferência, antes do envio de dados), um aviso claro sobre o uso das informações. Se possível, um resumo rápido, e, caso o usuário queira, o texto completo.
- Consentimento explícito e granularO consentimento não pode ser “genérico”. A pessoa deve saber para que seus dados serão usados, como receber novidades, participar de promoções, ter seu acesso rastreado por cookies, entre outros.
- Gestão facilitada de consentimentosÉ interessante que o usuário possa acessar ou revogar consentimentos facilmente. Um botão ou link para isso pode ser simples, mas demonstra compromisso e transparência.
- Formulário enxutoEvite pedir informações desnecessárias. Cada campo adicional pode dificultar a conversão, mas também aumenta o risco regulatório.
- Proteção física e digital dos dadosProteja tanto o ambiente digital (com SSL, backups e criptografia) quanto o acesso interno (somente pessoas autorizadas, treinamento de equipe, revisão de permissões).
Boas práticas para agências
- Mantenha registros dos consentimentos e alterações;
- Reavalie e atualize políticas periodicamente;
- Treine seu time em novas exigências e responsabilidades;
- Opte por plataformas que automaticamente cuidam desses aspectos legais;
- Informe de maneira didática os resultados ao cliente final, mostrando não só os dados captados, mas também como estão protegidos.
Pontos que merecem atenção extra
Cookies e rastreamento
Soluções de análise e anúncio (Google Analytics, Facebook Pixel, entre outros) costumam exigir consentimento expresso para uso de cookies e rastreamento. Se a landing page tem recursos do tipo, sinalize e permita que o usuário, de fato, escolha.
Integração com CRMs e ferramentas externas
Ao integrar sua landing page com ferramentas externas, certifique-se de que elas estejam alinhadas com a LGPD. Plataformas de marketing concorrentes, como Klickpages e RD Station, até oferecem recursos de privacidade, mas nem sempre com a simplicidade e personalização desejada. O diferencial está em combinar design, automação e adaptação legal sem dificultar a experiência.
O usuário percebe quando o processo é humanizado.
A tecnologia pode ser sua aliada (ou vilã)
Muitos softwares de criação de landing pages prometem soluções automáticas. Na prática, vejo que a flexibilidade faz diferença. Algumas plataformas deixam ajustes importantes de privacidade em segundo plano, dificultando a adequação detalhada. Busque ferramentas que entreguem facilidade, mas também personalização: que você decida onde, como e o quê informar ao seu visitante. Escolher soluções que ofereçam hospedagem segura, SSL, variedade de templates e adequação nativa à LGPD garante menos dor de cabeça para a agência e para o cliente final.
Outros detalhes fazem você ganhar pontos extras, como a automatização dos consentimentos e disponibilização de relatórios rápidos em caso de solicitação do titular dos dados. Algumas plataformas até prometem isso, mas, geralmente, não com o mesmo nível de transparência ou personalização. Mais do que estar “dentro da lei”, é sobre confiança – um valor que poucos entregam realmente bem.
Como mostrar aos clientes que sua agência se destaca
Não subestime o efeito de uma página clara sobre privacidade e consentimento explícito. Agências que investem em clareza e atualização legal entregam não só conversão, mas também autoridade.
- Inclua selos de privacidade realistas e links para políticas bem escritas;
- Treine sua equipe para explicar, em reuniões, como o processo todo segue a LGPD;
- Produza relatórios de acompanhamento sobre captação, consentimento e tratamento dos dados;
- Mostre cases onde a adequação à LGPD gerou mais leads – ou, pelo menos, menos cancelamentos e reclamações.
Para aprofundar, eu recomendo ler conceitos fundamentais sobre o que é um site e landing pages, estratégias para mais resultados em landing pages e, ainda, a importância da segurança digital nesse cenário. Outras sugestões são entender como integrar landing pages e sites à sua oferta de serviços de agência e analisar estratégias para lucrar mais investindo tempo na criação de páginas seguras.
2025 pede mais: LGPD como vantagem competitiva
Vivemos a era das decisões rápidas. Com a chegada dos novos marcos regulatórios, agências que atuam de forma ética e transparente saem na frente. Aplicar a LGPD às landing pages é mais do que seguir normas. É criar relação de confiança. É mostrar maturidade e visão de futuro.
Seu lead de hoje só vira cliente fiel se sentir confiança.
No fim, atua melhor no digital quem sabe equilibrar resultados e respeito pela privacidade. Não precisa ser difícil – precisa ser constante. Se a sua agência já está pensando nisso, está um passo adiante. Afinal, ninguém gosta de ser apenas mais um dado perdido na internet.